• Maria Silvana Alves

UMA ATIVIDADE FUNDAMENTAL PARA O BOM FUNCIONAMENTO DA MEMÓRIA

Em uma de minhas postagens, abordei sobre um dos pontos mais “fortes” que percebo nos disléxicos que é a coragem interna. Essa capacidade de se levantar, de enfrentar os desafios que surgem em sua vida e não desistir de seus objetivos, realmente me impressiona. Hoje resolvi falar de outro aspecto que também me chama a atenção nas dislexias, no entanto, algo que poderia ser classificado como um dos “pontos fracos” dos disléxicos: a memória.


Primeiramente, vamos entender o que é a memória!

“A memória é um processo cerebral dinâmico em que a atenção - a capacidade de concentração - está envolvida intensamente. A memória é a capacidade de compreensão, de decodificação, de fixação, de armazenamento de uma informação e recuperação dessa informação, localizando-a no tempo e no espaço.” (Prof. Dr. Ricardo Santana)


A memorização passa por três etapas:

  • codificação: recebimento de conjunto de inputs externos que são processados e convertidos em códigos aos quais lhe atribuímos significados;

  • armazenamento: após a atribuição dos significados das informações recebidas, nosso cérebro as armazena seja por breve ou longo tempo;

  • recuperação: consiste, literalmente, em recuperar as informações que estão retidas em nossa lembrança.


Em outras palavras, memória não é sinônimo de aprendizagem, mas é fator fundamental para que a aprendizagem ocorra. Recorrendo à literatura, encontramos a classificação da memória quanto à temporalidade em memória de curto prazo (MCP) e memória de longo prazo (MLP) e nossa reflexão se limitará a essas memórias. Mesmo assim, destacamos que, além dessa classificação, há ainda outros tipos que se caracterizam pelo formato de codificação da informação ( sensorial e verbal ) e segundo o tipo de informação ( episódica, semântica e processual).


Como mencionei, vou me ater apenas às memórias que se classificam em função de sua temporalidade, ou seja de curto e de longo prazo (se diferenciam pela fase de armazenamento e recuperação) e à memória operacional, às quais estão entre os tipos de memórias que podem mostrar prejuízos no transtorno da dislexia do desenvolvimento.

Quanto à memória de curto prazo, o próprio nome já a define, é aquela que tem pouca duração (30-40 segundos) e vai existir somente até o momento que eu precisar daquela informação, e deve ter, no máximo, 6-7 itens. Apesar das diversas estratégias para estimular e melhorar as memórias, a de curto prazo é a que está mais sujeito à deteriorização.


Por outro lado, a memória de longo prazo (também denominada explícita, declarativa ou memória com registro) é aquela capaz de codificar e conservar uma informação por um período de tempo maior, de segundos a anos.


Finalmente, a memória de trabalho ou também chamada de memória operacional, é aquela caracterizada por realizar “ações cognitivas mais complexas como a compreensão da linguagem e a leitura, o aprendizado ou o raciocínio, o planejamento ou as habilidades lógico-matemáticas. Ela tem como função armazenar e manipular a informação guardada. A informação armazenada na memória de trabalho está abaixo da memória de curto prazo e os jogos são excelentes recursos para melhorar essa memória.” (Bastardas, 2020) Percebo que esta é uma das memórias em que evidenciamos os maiores prejuízos nas dislexias.



O que posso fazer para melhorar o funcionamento de minha memória?

“O hábito de ler exercita a atenção e a principal causa de problemas de memória, mesmo em pessoas jovens, é a falta desse hábito. Para ter atenção é fundamental concentração na atividade, uma vez que para ser bem executada, necessita de boa memória. Buscar ambiente tranquilo, sem barulho e sem poluição visual é o primeiro caminho para se manter concentrado”, afirmam o neurologista Tarso Adoni e a neurocientista Suzana Herculano.


A leitura, é, portanto, uma atividade fundamental para o bom funcionamento da memória. As memórias “coloridas” - como sempre digo a meus ninos e ninas - serão aquelas que mais prevalecerão, uma vez que nosso cérebro ( funcionalmente falando ) apresenta seus limites de trânsito de informações, logo precisamos armazená-las. Os especialistas explicam que é preciso, além da atenção, compreender a mensagem que recebemos. Assim, conseguimos fechar o ciclo lembrando tudo o que precisamos. Como o cérebro hierarquiza as informações, é necessário utilizar associações de cheiro, cor, som, entre outros, para facilitar a lembrança.


A leitura ativa novas memórias e vasculha as memórias que já temos, por isso é tido como o principal exercício. Com o passar dos anos, a memória (como já mencionei, é uma das primeiras funções cerebrais a se deteriorar ) merece mais ainda nossa atenção e somos nós os responsáveis por cuidar muito bem dela. Se estivermos sempre com um bom livro como companhia, isso ficará bem mais fácil.


Vale destacar que apenas a leitura não é o suficiente para mantermos a memória sempre em bom funcionamento. Boas noites de sono, alimentação saudável e adequada, práticas de atividade física constante, também contribuirão para que ela esteja sempre ativa. No entanto, deve estar associada a outros fatores, como dormir bem, conversar bastante, ter uma alimentação adequada e fazer atividade física regularmente. Assim, um conteúdo, seja ele bom ou ruim, poderá ser armazenado e se juntamente a esse conteúdo houver a companhia de um “conteúdo emocional” , dificilmente será esquecido!

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