• Maria Silvana Alves

SINAIS PRECOCES QUE PODEM SUGERIR UM QUADRO DE DISLEXIA


Uma das grandes preocupações de pais e professores é identificar os sinais de alerta que podem, no futuro, compor um quadro de transtorno da dislexia do desenvolvimento. Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que isso só deve ser motivo de alerta quando a criança estiver em período escolar ou apenas depois dos 6 e 7 anos, mas estudos já comprovam que adolescentes que apresentam dislexia, já traziam algumas queixas em comum quando eram menores.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que o que vamos relatar a seguir são apenas sinais e que não necessariamente caracterizam um check list para se fechar um transtorno, mas que já devem servir como um sinal amarelo aos pais para que essas crianças sejam monitoradas. As respostas dadas por elas às intervenções oferecidas, essas sim, poderão contribuir significativamente no fechamento do diagnóstico.


Adolescentes e adultos laudados com dislexia, em sua maioria, apresentaram na infância (0 a 5 anos), além do histórico na família, os seguintes sinais precoces:

· desatenção;

· atraso na fala;

· dificuldade para pronunciar determinadas palavras;

· persistência das trocas na fala;

· pouco interesse por materiais com letras;

· dificuldade para aprender e lembrar os nomes das letras;

· demora para incorporar palavras novas ao seu vocabulário;

· falhas na consciência fonológica (não conseguem perceber e nem produzir rimas;

dificuldade em aliteração e soletração);

· dificuldade na memorização de letras de músicas como parlendas, cantigas;

· dificuldade para aprender cores, formas, números e escrita do próprio nome;

· dificuldade para seguir ordens e rotinas;

· dificuldade na coordenação motora fina e nas sequências motoras (amarrar cadarço, abotoar, andar de bicicleta);

· atraso e falhas na coordenação motora (cai facilmente, não segue ritmo de danças e coreografias);

· dificuldade em contar ou recontar uma história na sequência certa (inclusive recadinhos da escola);

· dificuldade na sequenciação (dias da semana, meses do ano);

· dificuldade em lembrar nomes de coisas, animais, pessoas e símbolos (disnomia);

· falhas na coordenação espacial (confunde conceitos como perto/longe; atrás/na frente; direita/esquerda);

( Capovilla e cols., 2005)


PROGRAMA DE RESPOSTA À INTERVENÇÃO


O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) elaborado pela Associação Americana de Pediatria, trouxe em sua última edição em 2013, uma abordagem muito importante em seu texto: a necessidade de intervir nos casos em que há hipótese diagnóstica de transtorno de aprendizagem. Para isso, propôs o Response to Intervention – RTI, ou em português, Resposta à Intervenção, que consiste em um programa para não deixar nenhuma criança para trás e intervir nos déficits que ela apresenta.

Mas qual é o objetivo desse programa? Diminuir problemas futuros como alto índice de reprovação; prejuízos emocionais; problemas relacionados a questões comportamentais, entre tantos outros. Daí a necessidade de os pais e os professores estarem atentos aos sinais acima mencionados para que essas crianças sejam inclusas em grupos como os que são propostos pelo DSM-5, e dessa forma, sejam acompanhadas e, se caso for confirmada a presença de um transtorno, (como por exemplo, a dislexia) essas crianças possam ser atendidas por equipe multidisciplinar e receberem os acompanhamentos terapêuticos necessários a fim de que compensem e amenizem os déficits apresentados.

Segundo Nádia Bossa, quanto mais cedo se “desenvolver uma fisioterapia cerebral, provocando regiões que apresentaram prejuízos” melhor será o prognóstico da criança, mas antes dos 8 anos é preciso ter todo o cuidado e cautela, pois a mesma ainda está no processo de “maturação biológica.” (Bossa, N.). Ademais, ela também já precisa ter desenvolvido todos os pré-requisitos necessários para a alfabetização como esquema corporal, orientação espaço-temporal, desenvolvimento motor e linguagem, uma vez que são eles quem permitirão à criança avançar no processo de alfabetização de forma assertiva. Tão importante quanto identificar e fechar o laudo da criança é estimulá-la precoce e intensamente, afinal ela está vivendo o auge da plasticidade neural, ou seja, a fase em que a “janela de oportunidades” está aberta para o aprender.


25 visualizações

© 2023 por EU E A DISLEXIA.