• Maria Silvana Alves

SEU APOIO NO MEU APRENDIZADO JAMAIS SERÁ ESQUECIDO!


Nós, professores, enfrentamos desafios diários em nossa profissão, mas temos como único e exclusivo foco efetivar a aprendizagem de nossos alunos e para isso, seguimos todo um protocolo que inclui a sondagem para verificação do nível em que cada aluno se apresenta; quais as habilidades que ainda precisam ser desenvolvidas e assim planejamos nossas ações em prol desse objetivo. No entanto, ter um aluno com necessidade de adaptações, algumas vezes, pode gerar a recusa por parte de alguns educadores acompanhada de argumentos do tipo “eu não sou formada para isso!” ou “não tenho especialidade nesse assunto!”, comentários que podem ser frutos de equívocos quando se pensa em garantir acessibilidade para esses alunos, em especial aos que têm dislexia, até por que eles não fazem parte da educação especial e poderão não ter o apoio de um professor auxiliar em sala de aula. As adaptações escolares podem estar associadas (para alguns professores) a complexas e profundas mudanças, quando na verdade, podem ser mais simples do que parecem.

É fato de que todo aluno disléxico é único e vai apresentar especificidades que demandarão estratégias individuais às quais favorecerão sua aprendizagem, mas pequenas e simples adaptações podem fazer a diferença no aprendizado da quase totalidade desses ninos e ninas (e até mesmo de seus colegas de sala que não apresentam o transtorno). É muito importante compreender o que é o transtorno e saber que aprendentes com dislexia vão apresentar diferenças neurobiológicas às quais afetarão áreas da cognição associadas à leitura e ortografia de palavras. Esse conceito é o básico que um professor deve saber sobre o seu aluno disléxico. Além disso, é preciso ter o conhecimento de que essas dificuldades não vão estar presentes apenas na fase de alfabetização nem tampouco acreditar que com o passar do tempo deixarão de ocorrer.

Antes de abordar sobre as adaptações, gostaria de falar sobre as principais diferenças cognitivas que prejudicam a leitura e a escrita dos disléxicos para que você, colega professor, possa preparar o conteúdo de seus alunos disléxicos de forma assertiva no que se refere a aproveitamento do tempo de estudo e assimilação do conteúdo estudado.


*Processamento fonológico: este aspecto dificultará a manipulação dos sons das palavras e a identificação e discriminação dos símbolos que representam esses sons. Essas inabilidades são permanentes e seu aluno precisará muito de seu apoio para ter êxito nos estudos. Para que essa relação grafofonêmica (letra-som) e fonografêmica (som-letra) seja totalmente internalizada pelo aluno com dislexia, será necessário muito mais tempo que os demais alunos precisam bem como estratégias adequadas para essa assimilação e, ainda assim, a escrita virá com algumas inversões, omissões, trocas, duplicações de letras. Valorize o conteúdo escrito por seu aluno e não somente a escrita ortográfica;


*Velocidade de processamento de linguagem: o processo de leitura e atribuição de sentido ao que se lê (compreensão leitora) demanda maior tempo nos disléxicos, daí a necessidade de um tempo maior para resolução de atividades que envolvem leitura;


*Memória de trabalho: fazer uso de informações na memória de curto prazo para imediatamente aplicá-la, é algo que comumente apresentará falhas nos disléxicos.


Conhecendo esses “funcionamentos diferentes” do cérebro de um disléxico, podemos pensar agora em mudança simples em sala de aula que podem ser eficazes para aprendizagem de escolares com o transtorno.


1) Alguns alunos com dislexia se comunicam muito bem na oralidade. Oportunizem situações em que ele possa te mostrar o que aprendeu em forma de apresentação ou avaliação oral. Ofereça um tempo extra para resolução das avaliações e, se possível, em espaço reservado da sala de aula!


2) Estamos em plena era digital e tecnológica e esses ninos e ninas estão imersos nesse universo e cada vez mais conectados e familiarizados com esses processos automatizados. Fazer uso das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) e Tecnologia Assistiva poderão proporcionar maior independência, autonomia e, consequentemente, melhor qualidade de vida escolar não somente aos disléxicos, mas também a todos os seus alunos;


3) Apresente o conteúdo para seu aluno sempre de forma concisa e “limpa”! Evite a “poluição visual” com excesso de informações em textos, sejam eles em slides ou material impresso.

Em um de meus posts, falei que na aprendizagem dos disléxicos “Menos é mais!” Assim, a qualidade deve estar acima da quantidade! Falei também sobre a importância dos recursos visuais na aprendizagem desses ninos e ninas. Abuse e use desses recursos em suas aulas - mapas de ideia, mapas conceituais, filmes, vídeos, gráficos, entre outros- uma vez que eles proporcionam ao aluno uma ideia geral do assunto que está sendo apresentado. Disponibilizar uma cópia impressa do conteúdo para esse aluno também será fundamental para uma possível revisão nos estudos e contribuir para o seu aprendizado.


Os relatos de alunos com dislexia que receberam e ainda recebem essas adaptações revelam a gratidão imensa por seus professores que compreenderam sua forma de aprender e viraram verdadeiros parceiros nesse processo. Eles falam com entusiasmo e boas lembranças desses professores.


Lembre-se: Garantir acessibilidade não significa facilitar as coisas para nenhum aluno, mas sim respeitar a neurodiversidade e oferecer as ferramentas de que ele necessita para, assim como os demais, construir os seus saberes!



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