• Maria Silvana Alves

PANORAMA HISTÓRICO DA DISLEXIA


A procura pelo conhecimento e a disseminação da informação fazem parte da nossa rotina há décadas, mas atualmente, vem se intensificando. Percebe-se esse movimento com relação a diversos assuntos e hoje, trago como destaque, uma breve linha do tempo sobre a história da dislexia do desenvolvimento, uma vez que pais, profissionais da área da saúde e da educação, alunos de graduação, da especialização e até mesmo o próprio disléxico fazem, diariamente, buscas para responder às diversas perguntas que permeiam esse tema.

Vale lembrar que, para se compreender o eixo de pesquisa que se apresenta atualmente, é importante revisitar todo o percurso de pesquisas sobre o transtorno em uma abordagem histórica, desde os primeiros estudos e teorias sobre a dislexia até os dias atuais. Dessa forma, perceberemos quantos profissionais, independente da área de atuação, se debruçaram sobre o assunto com o mesmo intuito: oferecer uma melhor qualidade de vida para os disléxicos. É claro que é uma linha concisa, já que são inúmeros os especialistas envolvidos nesse processo, inclusive brasileiros, mas o objetivo é enfatizar os marcos mais pontuais.

Linha do tempo da dislexia

· Século XIII: início das pesquisas sobre dislexia;

· 1872: O psiquiatra Berlim usa o termo DISLEXIA pela primeira vez;

· 1887: Kussmall usa o termo “ALEXIA” como sinônimo de “cegueira verbal”;

· 1896: O médico britânico Morgan apresenta um estudo de um adolescente de 14 anos, cuja inteligência era normal, mas não aprendeu a ler ( Revista Científica Britânica);

· Final do século XIX: oftalmologistas ingleses Hinshelwood e Morgane estudam a dislexia ainda como “cegueira verbal”;

· 1917: Bases sólidas para descrever a dislexia (“cegueira verbal congênita”). Pesquisa com adultos afásicos e crianças com o mesmo quadro; herdabilidade masculina e proeminência;

· Classe médica de oftalmologistas /EUA: Leitura ocorre no cérebro e não nos olhos;

· 1917-25: Pesquisadores não reconheciam ainda a dislexia como um problema de linguagem; muitos médicos se negam a reconhecer a existência do transtorno; o problema está nos olhos e não no cérebro;

· 1915-40: Neuropsiquiatra Samuel Orton: estudo do cérebro pós-mortem. Reconhecimento de um problema neurológico (disfunção cerebral congênita). Orientações para a escola e a sociedade sobre o transtorno;

· 1938: Lauretta Bender: Maturação lenta (visomotora) - 1ª Conferência da Orton Dyslexia Society (ODS) atual International Dyslexia Association (IDA)

· 1950: Hallgren: primeiro a descrever a dislexia; descreveu família numerosa com o transtorno. Estudos levam a acreditar que se trata de um problema genético (gêmeos monozigóticos: associação em 68% dos casos; 50% das crianças disléxicas tinham irmãos ou pais disléxicos; genes associados e genes candidatos: identificação em portadores e famílias afetadas);

· 1960: Helena Boder e Frostig estudaram os problemas perceptivos: visual, auditivo e motor;

· 1970: Vellutino: estudos sobre dislexia através da linguística;

· 1979: Galaburda: simetria do plano temporal cerebral (os planos temporais – responsáveis pela leitura e escrita - nos disléxicos são idênticos);

· 1990-2015: Eixo atual das pesquisas sobre dislexia:

- funcionamento neuropsicológico e fonoaudiológico da dislexia: meios de diagnóstico e de intervenção);

- estudos de neuroimagem;

- intervenção precoce;

- terapias de remediação;

- uso de tecnologias e adaptação curricular;

- apoio da Legislação

Referências

OLIVEIRA, Ana Bernadete de, PEREZ, Silvana C. Borges, SERRANO, Sueli Moura. Estudo exploratório da dislexia sob a ótica da pedagogia. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Pedagogia na Faculdade Associada de Cotia – FAAC, Cotia, 2001.


RUBINO, R. Dossiê sobre o Conceito de Dislexia e seus Efeitos no Discurso Social. Estilos da Clínica, São Paulo, Vol. XIII, 2008.


Sartorato E. Aspectos genéticos da dislexia. In: Ciasca SM, Rodrigues SD, Azoni CAS, Lima RF, eds. Transtornos de aprendizagem. Neurociência e Interdisciplinaridade. São Paulo: Book Toy; 2015.


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