• Maria Silvana Alves

OS DISLÉXICOS E A "FAMIGERADA" PROVA DO ENEM


Além de atuar como psicopedagoga clínica, sou professora de Língua Portuguesa para alunos do 3º ano do Ensino Médio e tenho toda propriedade para afirmar que a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é temida pela maioria deles. Imagine então para aqueles que apresentam transtornos? É fato de que a edição de 2020, só acontecerá em novembro, porém um assunto que vem me chamando a atenção é o questionamento de alguns pais sobre os direitos de seus filhos nessas provas que permitem a esses jovens ingressarem em uma universidade ou faculdade. Percebo que, na maioria das vezes, pais, professores e terapeutas também se preocupam com as dificuldades acadêmicas de seus filhos, alunos e pacientes a longo prazo, principalmente no período em que se iniciam essas e outras provas externas como os vestibulares. O que poucos sabem é que aqueles que apresentam dislexia do desenvolvimento já possuem, por lei, direitos no dia dessa prova. Esse exame é de suma importância, pois além de garantir uma vaga no ensino superior, possibilita ao candidato participar dos programas sociais como ProUni (Programa Universidade para Todos, que oferece bolsas de estudo parciais e integrais) e Sisu (Sistema de Seleção Unificada, o qual garante uma vaga em qualquer Universidade Federal e algumas estaduais), ou até mesmo ganhar bolsas de Estudos em instituições particulares, inclusive no exterior (algumas universidades públicas de Portugal, como a Universidade de Coimbra por exemplo, aceitam a nota do ENEM como critério para alguns cursos). Nas edições anteriores, os alunos que fizeram inscrição informando que apresentam o transtorno de dislexia, conseguiram um tempo adicional de 60 minutos em cada dia de prova, um auxiliar leitor e um auxiliar escriba para registro da redação. Eu, inclusive, fui convocada como leitora para um candidato em 2018, na cidade de Itapira, aqui mesmo no Estado de São Paulo. Para alguns, parece que essas adequações “facilitam” o processo para esses candidatos deixando-os em vantagem em relação aos demais. Nada disso! Elas são apenas adaptações que favorecerão (E MUITO) o desempenho daqueles que se prepararam muito, mas por apresentarem a dislexia a qual é um transtorno de origem neurológica, acabam tendo déficits nas atividades de leitura e escrita, e consequentemente, sendo prejudicados. Outro aspecto interessante a se destacar é em relação à correção da prova de redação, uma vez que esta considera e valoriza o conteúdo desenvolvido, levando em conta as habilidades linguísticas do transtorno.

O blog DislexClub, do meu amigo e parceiro Pippo, traz TODAS as informações necessárias para realizar o processo de inscrição solicitando a necessidade do atendimento especializado, num passo a passo bem simples. Inclusive, ele disponibiliza um modelo de declaração necessária para requerer os direitos do disléxico no ENEM. Vale a pena conferir no blog: www.dislexclub.com


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