• Maria Silvana Alves

INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NAS DISLEXIAS - ETAPAS 5 E 6


5ª etapa: Escrita

O trabalho com a ortografia, na terapia fonoaudiológica, deve seguir uma hierarquia de apropriação. Primeiramente, a criança deverá adquirir a relação fonema-grafema dos sons de representação única, ou seja: deve-se oferecer atividades com os fonemas p/b/m, t/d/n/l e f/v. Após essa aquisição, deve-se estimular os sons com mais de uma representação gráfica: c/ qu, g/gu, r/rr e também x/ch, j/g e s/ ss/c/ç/ z, além de oferecer a criança os diversos usos do h (h inicial, nh, ch e lh) e os encontros consonantais com r e l. Vale ressaltar, que essa hierarquia foi testada inicialmente pela autora em 2000, publicada em 2008 e vem sendo utilizada desde então com sucesso para o processo de alfabetização de crianças com Transtornos de Aprendizagem.

A segunda etapa refere-se à aquisição das principais regras da escrita, m antes p/b e n antes das outras consoantes, r/rr e r em posição vogal/ consoante/ vogal e s/ ss.

Na 3ª etapa, finalmente,trabalham-se as normas ou convenções da escrita, ou seja, as representações múltiplas de nosso sistema de escrita: os diversos usos da letra s, da letra z e da letra x, além dos usos do x/ch e do j/ g.

Atividades processuais e hierarquizadas favorecerão o processo de automatização da escrita.

6ª etapa: Produção de textos

Saber escrever é um grande desafio para crianças e adolescentes com transtornos de aprendizagem. No caso de pacientes disléxicos, a maior dificuldade é transformar o discurso narrativo oral em discurso narrativo escrito, pois, embora a maioria deles sejam criativos e apresentem boa fluência de ideias, a dificuldade encontra-se na estruturação do texto e na formalização da escrita.

Trabalhar com as diversas modalidades de texto narrativo é imprescindível, como, por exemplo, histórias em quadrinhos, tirinhas, fábulas, contos e lendas. Outra modalidade de texto que precisa ser desenvolvida são os textos argumentativos, de opinião, assim como os textos acadêmicos, que apresentam uma formalidade maior.

Por fim, outra possibilidade de intervenção para crianças e adolescentes disléxicos, que mesmo submetidos à intervenção fonoaudiológica, ainda necessitam automatizar a ortografia e desenvolver os diversos tipos de textos, é a proposta de um trabalho com pequenos grupos, denominado “Oficinas de Ortografia e Produção de Textos”. Esse trabalho surgiu da necessidade da continuidade de intervenção com crianças de 5º e 6º anos do Ensino Fundamental, que foram previamente trabalhadas individualmente, e vem sendo desenvolvido no CeAp- Cérebro e Aprendizagem, há aproximadamente 5 anos. Na minha experiência clínica, observa-se que o trabalho em grupo traz um fator motivacional, além de proporcionar uma realidade intermediária entre a terapia individual e a sala de aula.


Referências

Capovilla, G.S.A & Capovilla, C.F.( 2002). Alfabetização Método Fônico. São Paulo: Memnon.

Dehaene S. ( 2012) Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso.

Germano G.D.& Capellini, S.A (2011). Perfil de escolares com dislexia, transtornos e dificuldades de aprendizagem em instrumento de avaliação de habilidades metafonológicas (PROHFON). In L.M.Alves, R Mousinho & S. Capellini (Eds). Dislexia: novos temas, novas perspectivas: Rio de Janeiro: Wak.

Germano G.D.& Capellini, S.A. (2013). Subtipos de Dislexia do desenvolvimento: caracterização e classificação a partir de provas metafonológicas e de percepção visual. In L.M.Alves, R. Mousinho& S. Capellini ( Eds). Dislexia: novos temas, novas perspectivas. Vol II Rio de Janeiro: Wak.

Fernandes M.I.A.O.S. (2000). Redação individual e em cooperação em sujeitos com dificuldades de aprendizagem escolar. Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia e Fonoaudiologia, PUCCampinas.

Santos M.I.A.O ( 2008). Programas de intervenção nas alterações de leitura e escrita. In Zorzi J.L; Capellini S. A. ( Eds) Dislexia e outros distúrbios da leitura e escrita: letras desafiando a aprendizagem. São Paulo: Pulso

Scliar- Cabral L. ( 2009). Aprendizagem neuronal na alfabetização para as práticas sociais da leitura e escrita. Revista intercâmbio, 20: 113- 124.



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