• Maria Silvana Alves

INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NAS DISLEXIAS - ETAPAS 1 E 2

Uma das maiores preocupações para os professores da Educação Infantil, quando recebem o diagnóstico de uma criança portadora de dislexia, é em relação ao método mais eficaz para o processo de alfabetização, assim como ao tempo que a criança levará para começara ler e a escrever. Dessa forma, a terapia fonoaudiológica precisa ser bem programada e incluir estratégias abrangentes e hierarquizadas, para que os objetivos principais sejam alcançados.

De acordo com vários estudos existentes,sabe-se que, para a alfabetização de crianças com transtornos de aprendizagem, um dos métodos mais utilizados é o que segue os princípios do método fônico (Capovilla & Capovilla 2002; Scliar- Cabral, 2009; Dehaene 2012). Outras pesquisas demonstram também que crianças disléxicas apresentam dificuldades na aquisição das habilidades fonológicas e metafonológicas, tão importantes para o processo de alfabetização. (Germano & Capellini 2011, 2013).

Autores como Capovilla e Capovilla(2002)sugerem que, além do método fônico, o método multissensorial também traz grandes benefícios para crianças disléxicas, pois busca combinar diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem escrita (auditiva, visual, cinestésica e tátil). As letras são apresentadas separadamente e são ensinados os sons correspondentes.

Para que a criança adquira a leitura e a escrita e consiga, portanto, estabelecer a relação fonema- grafema, é fundamental a estimulação das habilidades fonológicas e metafonológicas. Com isso, ela precisa ser levada a associar a relação som-letra, letra -som e a elaborar como esse processo acontece, quais as possíveis relações e associações feitas e quais estratégias serão utilizadas para memorizar o aprendizado.

Segundo Dehaene (2012), aprender a ler consiste em conectar dois sistemas presentes na criança: o sistema visual de reconhecimento das formas e as áreas de linguagem. O autor também relata que,quanto mais associações forem feitas com as diferentes regiões cerebrais, que processam a linguagem, mais rápida e profunda será a aprendizagem.

Quando uma criança aprende a decifrar uma escrita alfabética, não somente suas áreas visuais devem aprender a decompor as palavras em letras e em grafemas, mas uma parte das regiões implicadas na análise da fala deve modificar o código, a fim de representar os fonemas.

Dessa forma, a intervenção fonoaudiológica com crianças disléxicas deve abranger:


1ª etapa: Treinamento auditivo/ visual

Atualmente, temos muitos programas de computador para a estimulação do treinamento auditivoe posterior associação ao treinamento visual. Segundo Dehane (2012),a atenção dirigida às correspondências audiovisuais melhora os escores de leitura e conduz à uma normalização parcial da atividade cerebral de crianças disléxicas. A utilização de estratégias que estimulam a atenção auditiva e visual, dando ênfase à atenção seletiva, dividida e sustentada, traz grande benefício para os disléxicos. Associa-se a esse trabalho, também, a estimulação da memória de curto termo, operacional e memória evocativa.


2ª etapa: Estimulação da linguagem oral

Nessa etapa, torna-se importante a estimulação da linguagem oral em seus aspectos fonológico, sintático- semântico e pragmático. Vale ressaltar que, quanto mais cedo os déficits de linguagem existentes forem sanados, melhor será o prognóstico para a alfabetização. Devemos lembrar, também, de estimular a aquisição dos conceitos cotidianos, para favorecer, posteriormente, a aquisição dos conceitos formais, adquiridos na escola por meio da educação formal.

O aprendizado de novas palavras e palavras pouco familiares, assim como o aumento da capacidade para memorizá-las, deve ser estimuladono momento da alfabetização, em que ocorre uma grande ativação do corpo caloso, Dehaene (2012),



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