• Maria Silvana Alves

DISLEXIA: ADAPTAÇÕES EM SALA DE AULA


“Para fins de orientação geral, serão descritas a seguir algumas recomendações que foram baseadas na proposta da International Dyslexia Association. Destaca-se que a escolha de uma ou mais adaptações deve ser cuidadosamente analisada pelo corpo docente e coordenação pedagógica, segundo a necessidade do aluno. No início, pode haver necessidade da associação de várias, porém espera-se que o número das mesmas diminua com o avanço do processo de aprendizagem, bem como com a autonomia do aluno.” (Rodrigues; Ciasca, 2016)

  • · Dar tempo extra para completar as tarefas;

  • · Oferecer ao aluno ajuda para fazer suas anotações;

  • · Modificar trabalhos e pesquisas, segundo a necessidade do aluno;

  • · Esclarecer ou simplificar instruções escritas, sublinhando ou destacando partes importantes para o aluno;

  • · Reduzir a quantidade de texto a ser lido;

  • · Bloquear estímulos externos (visuais, por exemplo), se o aluno tende a distrair-se com facilidade com os mesmos. Pode-se usar como recursos: cobrir esses estímulos (numa folha ou planilha por exemplo), aumentar o tamanho da fonte e/ou aumentar o espaçamento entre as linhas;

  • · Destacar (com caneta apropriada) as informações essenciais em textos e livros, se o aluno tiver dificuldade em encontrá-las sozinho;

  • · Proporcionar atividades práticas adicionais, uma vez que os materiais normalmente não as fornecem em número suficiente para crianças com dificuldade de aprendizagem. Tais práticas podem incluir exercícios práticos; jogos instrutivos; atividades de ensino em duplas; programas de computador; etc.

  • · Fornecer glossário dos conteúdos e guia para ajudar o aluno a compreender a leitura. Esse último pode ser desenvolvido parágrafo a parágrafo, página a página ou por seção;

  • · Usar dispositivos de gravação. Textos, livros, histórias e lições específicas podem ser gravadas. Assim, o estudante pode reproduzir o áudio para esclarecer dúvidas. O aluno pode, ainda, escutar e acompanhar as palavras impressas e, assim, pode melhorar sua habilidade de leitura;

  • · Utilizar tecnologia assistiva e meios alternativos como “tablets”, leitores eletrônicos, dicionários, audiolivros, calculadoras, papéis quadriculados para atividades matemáticas, etc.;

  • · Repetir as instruções e orientações. Alguns alunos têm dificuldade em seguir instruções e, assim, pode-se pedir que as repita com suas próprias palavras. Se estas tiverem várias etapas, pode-se dividi-las em subconjuntos, ou apresentá-las uma de cada vez. Quando as orientações são dadas por escrito, deve-se certificar de que o aluno é capaz de ler e compreender as palavras e o significado das frases;

  • · Manter rotinas diárias, pois muitos alunos com problemas de aprendizagem têm dificuldade em organizar-se com autonomia;

  • · Fornecer uma cópia das notas de aula (ou esboço) para aqueles que têm dificuldade em realizá-la com autonomia;

  • · Combinar informação verbal e visual e proporcionar organizador dos conteúdos ministrados;

  • · Escrever pontos ou palavras-chave no quadro-negro, antes de uma apresentação;

  • · Equilibrar as apresentações orais, informações visuais e atividades participativas, o que inclui equilíbrio das atividades (em grupo, geral e individual);

  • · Utilizar dispositivos mnemônicos para ajudar os alunos a se lembrarem de informações chave;

  • · Enfatizar revisão diária. Este tipo de estratégia pode ajudar os alunos a fazerem ligações com conhecimentos prévios;

  • · Variar os modos de avaliação, ou seja, apresentações orais, participação em discussões, avaliações escritas, provas com múltipla escolha, etc.;

  • · Alterar o modo de resposta. Para aqueles que têm dificuldade de coordenação motora fina e/ou com a escrita manual, permitir diferentes modos de exposição do conteúdo (espaço extra para escrever, sintetizar conteúdos, atividades de múltipla escolha, exposição por meio de desenhos, respostas orais, etc.);

  • · Posicionar o aluno próximo ao professor, longe de sons, pessoas ou materiais que possam distraí-lo, principalmente aqueles que tenham problemas com a atenção;

  • · Estimular e ensinar o uso de agendas, calendários e organizadores. Com isso, o aluno poderá estar atento a datas e prazos de atividades escolares;

  • · Estimular o uso de sinais para indicar itens importantes ou não dominados pelo aluno. Tal conduta pode, ainda, ajudar o monitoramento do tempo em testes, bem como o estado atual da sua aprendizagem;

  • · Graduar os conteúdos a serem tratados, num nível crescente de dificuldade.

Referências:


International Dyslexia Association. Dyslexia in the classroom: what every teacher needs to Know. Baltimore: International Dyslexia Association; 2013. Acesso em 05/12/2018. Disponível em: http://dcida.org/files/dyslexiaintheclassroom.pdf


RODRIGUES, S. D.; CIASCA, S. M. Dislexia na escola: Identificação e possibilidades de intervenção. Rev. Psicopedagogia 2016; 33 (100): 86-97


0 visualização

© 2023 por EU E A DISLEXIA.