• Maria Silvana Alves

CONHECENDO AS MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS. QUANTAS INTELIGÊNCIAS POSSUÍMOS?

O que é Inteligência?

Inteligência é um termo que pode ser definido de formas diferentes, e até hoje é difícil encontrar um consenso. A palavra vem do Latim intellectus, de intelligere = inteligir, entender, compreender. Composto de íntus = dentro e lègere = recolher, escolher, ler.


Definição:

São muitas as definições. A inteligência foi definida e redefinida diversas vezes através dos tempos, porém atualmente temos dois consensos mais amplamente aceitos. O primeiro: "Os indivíduos diferem na habilidade de entender ideias complexas, de se adaptarem com eficácia ao ambiente, de aprenderem com a experiência, de se engajarem nas várias formas de raciocínio, de superarem obstáculos mediante o pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de 'inteligência' são tentativas de aclarar e organizar esse conjunto complexo de fenômenos."


E segundo o relatório de Intelligence: Knowns and Unknowns, em 1995, o segundo consenso, a segunda definição de inteligência, foi assinada por cinquenta e dois pesquisadores em inteligência, em 1994: "uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta 'pegar no ar', 'pegar' o sentido das coisas ou 'perceber' uma coisa."


Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner

“Quem foi mais inteligente: Einstein ou Pelé? Beethoven ou Gandhi? Michelangelo ou Shakespeare?”

Segundo Gardner: “Inteligência é a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais”.


Isso nos leva a outra questão:

A inteligência pode ser medida?

As inteligências teorizadas por Gardner inicialmente eram 7, porém posteriormente foram acrescentadas mais 2, totalizando 9 inteligências, que são:


Linguística

Esta inteligência consiste na capacidade de usar as palavras de forma efetiva, seja oralmente, ou por escrito, quer dizer, é um potencial que revela a capacidade do indivíduo de aprender noções dos códigos linguísticos (seja da língua materna ou mesmo de línguas estrangeiras), guardá-los na memória e aplicá-los criativamente. Ela engloba, portanto, a capacidade de manipular a sintaxe ou a estrutura da linguagem, a semântica ou os significados da linguagem, e as dimensões pragmáticas, estando incluídos, desse modo, o saber fazer uso da retórica (o uso da linguagem para convencer), da explicação, da metalinguagem (o uso da linguagem para falar dela mesma) e da mnemônica (o uso da linguagem para lembrar informações). (ARMSTRONG, 2001, p.14)


Lógico-matemática

A inteligência lógico-matemática consiste na capacidade de usar os números de forma efetiva e para raciocinar bem. Isso inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos lógicos, afirmações e proposições, funções e outras abstrações relacionadas. Dessa forma, dentre os processos utilizados por esta inteligência estão: categorização, classificação, inferência, generalização, cálculo e testagem de hipóteses (ARMSTRONG, 2001, p.14). Brennand e Vasconcelos a definem como sendo um tipo de inteligência que se revela na capacidade mental do humano de guardar, na sua memória, informações de representações de quantidade e de aplicar essas informações no cotidiano, resolvendo problemas (2005, p.30). E segundo Gardner, essas soluções são rapidamente formuladas pela mente e apresentam coerência antes mesmo de serem representadas materialmente. (1995, p.25)


Espacial

A inteligência espacial é responsável pela capacidade de perceber com precisão o mundo visuoespacial (por exemplo, como um caçador, escoteiro ou guia) e de transformar essas percepções (como um arquiteto, artista, ou decorador de interiores). Por isso ela envolve sensibilidade à cor, linha, forma, configuração e espaço, e as relações existentes entre esses elementos. Desse modo, nela está incluída a capacidade de visualizar, de representar graficamente idéias visuais ou espaciais e de orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial (ARMSTRONG, 2001, p.14).


Corporal-cinestésica

A inteligência corporal-cinestésica consiste na habilidade do uso do corpo todo para expressar ideias e sentimentos (por exemplo, como ator, mímico, atleta ou dançarino), bem como na destreza no uso das mãos para produzir ou transformar coisas (ARMSTRONG, 2001, p.14). Para Brennand e Vasconcelos, trata-se de uma competência responsável pelo controle dos movimentos corporais, criando representações possíveis de serem executadas pelo corpo, em espaços e situações diversas. (2005, p.31) As habilidades físicas que esta inteligência inclui são específicas, tais como a flexibilidade, o equilíbrio, a coordenação, a velocidade, a força, a destreza, além de capacidades proprioceptivas, táteis e hápticas. (ARMSTRONG, 2001, p.14)


Musical

Esta inteligência envolve a capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. Incluem-se, portanto, neste tipo de inteligência, sensibilidade ao ritmo, tom ou melodia, e timbre de uma peça musical. Pode-se ter um entendimento geral da música (global, intuitivo), um entendimento formal ou detalhado (analítico, técnico), ou ambos (ARMSTRONG, 2001, p.14). Sendo assim, essa inteligência encerra um potencial que fornece ao indivíduo a capacidade de aprender sons, ritmos, de interpretá-los e até de reconstruir novos contornos melódicos com arranjos musicais (BRENNAND e VASCONCELOS, 2005).


Interpessoal

Este tipo de inteligência envolve a capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimentos das outras pessoas. Desse modo, pode incluir sensibilidade a expressões faciais, voz e gestos; a capacidade de discriminar muitos tipos diferentes de sinais interpessoais; e a capacidade de responder efetivamente a estes sinais de uma maneira pragmática, ou seja, influenciando pessoas a seguir determinada linha de pensamento e de ação. (ARMSTRONG, 2001, p.14)

Para Gardner, a inteligência interpessoal está baseada numa capacidade nuclear de perceber distinções entre os outros; em especial, contrastes em seus estados de ânimo, temperamentos, motivações e intenções. Em formas mais avançadas, esta inteligência permite que um adulto experiente perceba as intenções e desejos de outras pessoas, mesmo que elas os escondam. Essa capacidade aparece numa forma altamente sofisticada em líderes religiosos ou políticos, professores, terapeutas e pais. (1995, p. 27). Em outras palavras, a inteligência interpessoal é bastante valorizada nas relações sociais, pois requer saber interagir com os outros com cooperação, valorizar a organização em grupo e despertar o espírito de liderança. Seu desenvolvimento se dá desde as relações maternas, no ambiente escolar como um todo e entre amigos (BRENNAND e VASCONCELOS, 2005).


Intrapessoal

A inteligência intrapessoal consiste no autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base neste conhecimento. Sendo assim, ela pressupõe possuir uma imagem precisa de si mesmo (das próprias forças e limitações); consciência dos estados de humor, intenções, motivações, temperamento e desejos; e a capacidade de autodisciplina, auto-entendimento e auto-estima (ARMSTRONG, 2001, p.14-15)

Quando alguém tem esta inteligência desenvolvida, percebe-se, em seus comportamentos, o desejo de conhecer a si próprio, de refletir sobre seus erros e de aprender com eles, mudando até seus comportamentos em benefício das pessoas com as quais convive ou se relaciona. Desse modo, indivíduos autistas ou esquizofrênicos são exemplos de pessoas que possuem a inteligência intrapessoal prejudicada (BRENNAND e VASCONCELOS, 2005).


Naturalista

Este tipo de inteligência inclui perícia no reconhecimento e classificação das inúmeras espécies – a flora e a fauna – do meio ambiente do indivíduo. Ela abrange também sensibilidade a outros fenômenos naturais (por exemplo, formação de nuvens e montanhas) e, ainda, a capacidade de distinguir entre seres “vivos” e “inanimados” (ARMSTRONG, 2001, p. 15). Brennand e Vasconcelos entendem que o potencial dessa inteligência é demonstrado em comportamentos criativos, que associam saberes adquiridos no cotidiano do senso comum a conhecimentos adquiridos com métodos científicos que sejam relacionados, não só à vida social, mas também, ao ambiente natural.


SALA DE AULA

DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO COM BASE NAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS


As teorias de Gardner mostram-se relevantes porque, embora muitas vezes seja inviável adequar atividades para cada aluno separadamente, é possível, entretanto, traçar um perfil geral da classe levando-se em conta os perfis individuais e, a partir de então, programar atividades e estratégias de ensino que:

• sejam desenvolvidas individualmente e em grupo;

• equilibrem o nível de exposição do aluno mais extrovertido e do mais tímido;

• estimulem e permitam a participação de todos os alunos;

• visem o maior índice de sucesso em sua realização, calculado com base nas competências dos alunos envolvidos;

• atendam a seus interesses e necessidades;

• permitam-lhes reconhecer a eficácia de atividades que priorizam a memória visual, auditiva, oral, dentre outros.


O que podemos fazer?

A Teoria das Inteligências Múltiplas sugere que simples modificações no contexto de sala de aula ou na realização de atividades rotineiramente realizadas podem atingir níveis mais satisfatórios de aprendizagem, por envolverem um maior número de alunos ou por se mostrarem mais adequadas aos perfis cognitivos dos aprendizes.

Assim como a disposição dos alunos no contexto da sala de aula, outros elementos que caracterizam a organização do ambiente escolar influenciam na aprendizagem e podem, de acordo com a teoria das Inteligências Múltiplas, favorecer o desenvolvimento de estratégias de ensino voltadas para uma atmosfera mais propícia à participação e ao aumento da atenção e da confiança dos alunos:

Traçar um perfil cognitivo da classe é benéfico tanto para o professor que pode, assim, preparar aulas mais dinâmicas e interativas, quanto para o aluno que, ao ser capaz de reconhecer as próprias habilidades ou tendências pessoais dentro do quadro das inteligências, poderá ele próprio elaborar estratégias mais eficientes de aprendizagem.




Referências Bibliográficas:

ANTUNES, C. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 9ª ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

ARMSTRONG, T. Inteligências Múltiplas na sala de aula. 2ª ed., Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

BRENNAND, E. G. G. e VASCONCELOS, G. C. O Conceito de potencial múltiplo da inteligência de Howard Gardner para pensar dispositivos pedagógicos multimidiáticos. Ciências & Cognição; Ano 02, Vol. 05, 2005, p.19-35. Disponível em <www.cienciasecognicao.org>.

GARDNER, H. Estruturas da Mente - A teoria das inteligências múltiplas. 1ª ed., Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

______. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

KRASHEN, S. Principles and Practice in Second Language Acquisition. New York: Pergamon Press, 1982.

PERRENOUD, P. A Prática Reflexiva no Ofício de Professor: profissionalização e razão pedagógica. Trad. Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

PRAHBU, N. S. There is no Best Method - Why? TESOL Quarterly 24/2, 1990, 161-176.

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