• Maria Silvana Alves

COMO A PANDEMIA DA COVID-19 PODE TER REVOLUCIONADO A EDUCAÇÃO BRASILEIRA



Há tempos, a educação vem reproduzindo um modelo de ensino que data do início do século XIX, mesmo percebendo a necessidade de buscar outras ferramentas para se construir o aprendizado. No entanto, o receio do novo por estranhamento ou até mesmo por dúvidas sobre sua eficácia, nos fazia adiar a decisão de aderirmos às tecnologias em sala de aula.

Cenas de jovens, adolescentes e até mesmo crianças com celulares ou outros aparelhos eletrônicos como primeira e última atividades do dia, são comuns a todos nós seja para curtir fotos, vídeos ou conversar com amigos. Parece que estes aparelhos passaram a ser a extensão de seus corpos e se não estiverem com eles por perto, lhes falta algo. Esses mesmos jovens e adolescentes vão para as escolas e se deparam com um ensino tradicional com lousa e giz, aulas expositivas com cópias e mais cópias que muitas vezes não resultam em aprendizagens significativas, enquanto nós, professores, relutávamos! Parecíamos ter esse modelo enraizado em nosso perfil e sentíamos receio de que a tecnologia viesse fazer parte de nossas metodologias e práticas docentes e fomos adiando, enquanto pudemos, seu uso.

“De repente, não mais que de repente”, dialogando com Vinícius de Moraes, nos vimos diante de um cenário totalmente adverso – uma pandemia – no qual tivemos que nos reinventar para chegar até nossos alunos. Iniciamos, à princípio, um período de não aceitação, revolta, estresse e percebemos que não havia outro caminho a não ser se atirar na jornada por mares nunca dantes navegados ou relativamente desconhecidos. Parafraseando Drummond, no meio do caminho tinha uma pedra e como sempre, fazendo uso da resiliência e da criatividade, tentamos transpô-la. Fomos em busca de tutoriais (no meu caso, de meus filhos adolescente e jovens) e dos colegas com mais familiaridade com a tecnologia para que nos alfabetizássemos digitalmente e, finalmente, pudéssemos acessar às plataformas digitais e realizar aquilo que mais amamos fazer – lecionar.

Tarefa árdua, pois além de preparar aulas nesse novo modelo, tivemos que nos organizar com as tarefas domésticas e com outros compromissos que tínhamos. Além do mais, essa questão implica rompimentos de paradigmas, superação de inseguranças e expectativas, mas, aos poucos, conseguimos. E cá estamos nós, agora em ambientes virtuais, em meio a chats, aulas por aplicativos, grupos de redes sociais, mais uma vez, sendo educadores: ensinando regras de convivência, tolerância, empatia entre tantas outras práticas que fazíamos em aulas presenciais. Tivemos de aprende, às pressas, uma nova forma de ensinar. Sentimos aquele mesmo friozinho na barriga de vinte, trinta anos atrás quando pisamos em uma sala de aula pela primeira vez.

Nunca mais seremos os mesmos! Upload, link, app, podcast, blog, postar, são alguns dos termos que nos parecem cada vez mais familiares. É fato de que essas ferramentas vieram facilitar e possibilitar o nosso teletrabalho, mas como será depois que tudo isso passar? Será que conseguiremos olhar para os dispositivos tecnológicos com a mesma aversão? Esses que, neste momento de isolamento social em que tivemos que aderir a um modelo de ensino remoto, nos são essenciais para nos aproximar de nossos alunos? Poderemos negar a importância que essas ferramentas tiveram neste momento histórico de nossas vidas profissionais? Muitas dessas e de outras perguntas ainda estão com suas respostas sendo construídas dentro de cada um de nós, embasadas em novos valores, novas abordagens, enfim, uma nova visão sobre esses recursos. O bom senso nos ajudará a respondermos a cada uma delas e também nos fará compreender a atual e real demanda que chega até nós dentro do ambiente escolar.


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