• Maria Silvana Alves

CALIGRAFIA IRREGULAR NÃO É LETRA FEIA!


“Minha letra não é feia! É que eu tenho minha própria fonte!” (G. N. S.)



A disgrafia é uma alteração que decorre de inabilidades na coordenação motora fina, no ritmo e na velocidade do movimento do registro escrito e que pode vir em comorbidade com a dislexia. Em outras palavras, em alguns casos de dislexia, os pacientes podem apresentar uma caligrafia irregular que, às vezes, é confundido com letra feia ou falta de treino motor, gerando vergonha, incômodo e até mesmo uma certa aversão pela prática da escrita.

A psicanalista infantil e psicopedagoga Deborah Ramos explica que há dois tipos de disgrafia: a motora (discaligrafia) e a perceptiva. Na disgrafia motora , segundo ela, “o indivíduo consegue falar e ler, mas encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja, vê a figura gráfica, mas não consegue fazer corretamente os movimentos para escrever.” Enquanto na disgrafia perceptiva “o indivíduo não consegue fazer relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons, as palavras e as frases. Possui características da dislexia, sendo que esta está associada à leitura e a disgrafia está associada à escrita”. Como se trata de uma causa interna, ou seja, uma disfunção no Sistema Nervoso Central, alguns exercícios ajudarão amenizar o problema, uma vez que estimulam a praxia fina, no entanto a dificuldade no traçado sempre existirá.

O ideal em casos de disgrafia dentro do ambiente escolar, seria um transcritor para fazer o registro escrito para o disléxico (como já ocorre nas provas do Enem), mas como nem sempre isso é possível, faz-se necessário buscar outras estratégias. Um dos recursos que podem ser utilizados, por exemplo, é solicitar que o aprendente diga a você o que ele quis escrever. Outra sugestão para melhor organização da escrita são os cadernos que apresentam os espaços entre as pautas um pouco maiores (mais largos) ou sugerir traçado com letra bastão invés da cursiva. A estimulação na escrita de gêneros textuais diversos como receita, anúncios publicitários, bilhetes, diários, agendas, entre outros, pode ser um dos caminhos para os escolares (re)encontrarem o prazer pela escrita.





14 visualizações

© 2023 por EU E A DISLEXIA.