• Maria Silvana Alves

ALFABETIZAÇÃO NA FASE ADULTA

Qual a idade mais adequada para se alfabetizar? Na verdade, não existe uma idade fixa, mas pesquisas neurocientíficas apontam que as crianças com idade de 6 anos já podem ser incluídas no processo e que por volta dos 7 anos e 8 meses é esperado que esse mesmo processo esteja em fase de conclusão. Mas e os jovens e adultos que, por motivos diversos, não conseguiram se alfabetizar? A leitura e a escrita nos dias de hoje são fundamentais e, por se tratarem de um código, precisam ser aprendidos para serem "decifrados". Tenho uma experiência de longos anos com a EJA (Educação para Jovens e Adultos) do Ensino Médio e também atendo adultos em meu espaço psicopedagógico que querem muito se alfabetizar e prosseguir seus estudos. Algo que percebo na maioria deles são a garra e a força de vontade para realizarem as atividades propostas e se superarem a cada sessão. É como se quisessem recuperar o tempo perdido! Em mim despertam, ao mesmo tempo, um certo orgulho e a consciência da grande responsabilidade em trabalhar de forma assertiva a fim de que o tempo e a qualidade da alfabetização possam suprir a demanda trazida por eles.


Quando começam com as primeiras atividades de alfabetização, estabelecemos um programa para que esse processo avance de forma adequada e eles procuram, ao máximo, corresponder ao estabelecido através da assiduidade e da entrega de atividades enviadas para casa (livros, fichas de palavras para leitura, jogos, entre outros) como reforço das sessões. Sempre chegam com um brilho no olhar e um sorriso no rosto mostrando a satisfação por terem conseguido desenvolver com autonomia o que lhes fora proposto.

E assim, juntos avançamos com acertos e erros, até chegar ao momento em que a leitura vai se consolidando, em que a escrita começa a ser significativa através de mensagens pelas redes sociais e em bilhetes! Os textos passam definitivamente a exercerem seu papel social e o letramento torna-se cada vez mais evidente e concreto! É uma experiência única e que nos ensina muito como profissionais, pois nos faz acreditar cada vez mais na “educação libertadora e emancipadora” (Freire, P. 1996) e na “leitura como código de acesso ao mundo e meio de inclusão” (Monde, R. 2019).

“Ainda, a educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto consequência do exercício da cidadania como condição para uma plena participação na sociedade. Além do mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à cultura de paz baseada na justiça”. (Declaração de Hamburgo sobre a Educação de Adultos, 1997)


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