• Maria Silvana Alves

A DISLEXIA ATRAVÉS DO OLHAR DE UMA MÃE


Quando nos tornamos mãe, naturalmente, desejamos que nossos filhos alcancem vários objetivos como qualquer outra criança: que faça amigos; que vá pra escola; que se dê bem nos estudos; que encontre sua(seu) namorada(o); que curse uma faculdade; que consiga um bom emprego, enfim, que seja feliz. No entanto, alguns desses objetivos (que são mais nossos anseios do que de nossos filhos) começam a esbarrar em obstáculos e nos faz repensar sobre os modelos e conceitos que projetamos como ideais.


O momento em que uma mãe recebe um diagnóstico de dislexia de seu filho, a primeira reação é se perguntar “Meu filho tem dislexia. E agora?” Escrevi um artigo com este tema para o blog Dislexclub no ano passado, pois entendo perfeitamente o que as mães sentem quando são informadas da presença desse transtorno de aprendizagem. Umas dizem “O que será do meu filho?” ou “Como posso ajudá-lo” entre tantos outros questionamentos. Ao lermos sobre dislexia, parece algo simples de ser abordado, que é somente uma questão de aceitação do laudo por parte da família que fica tudo certo. Mas sabemos que não é bem assim! Essas mães precisam DIARIAMENTE de um trabalho árduo e contínuo: apoiarem seus filhos. Quando digo “apoiar” não é consentir que façam o que sentem vontade, mas motivá-los a serem cada dia mais resilientes e persistentes diante dos déficits apresentados no transtorno. Essas mães precisam, primeiramente, estimular a própria autoestima para depois motivar seu filhos! Tarefa árdua e difícil, porém muito compensadora. Uma prática que envolverá cobrança de disciplina, organização e uma rotina de estudos diários e, é claro, muito amor e paciência!


Hoje, trago o depoimento de uma mãe que finaliza seu texto como “um desabafo” ao relatar as dificuldades enfrentadas pelo seu filho e por ela ao buscar a melhor forma de ajudá-lo em seu desenvolvimento. Meu objetivo não é expor a criança e a mãe e nem vitimizá-los, pelo contrário, é incentivar outros pais e mães a também acreditarem COM TODAS AS SUAS FORÇAS no potencial de seus filhos e permitir a esses meninos e meninas evidenciarem esse potencial, consequentemente ganhando autoconfiança e, mais ainda, conseguindo ter uma melhor qualidade de vida! Meu respeito a todas as mamães que, lado a lado com seus filhos, os veem, gradativamente, conquistando seu espaço! Tudo que fazem pra favorecer o desenvolvimento global de seus filhos valerá a pena. Tenham certeza disso!!!




“Ser mãe de disléxico é ser paciente até onde já não existe paciência. É entender que, mesmo que não pareça serem diferentes dos outros, eles são diferentes e possuem limitações nos estudos. Quando você era criança e foi aprender andar de bicicleta, patins, nadar, etc... era difícil para você, não era? Porém era gratificante quando conseguia. Agora, imagine ter que aprender algo que você não gostasse; era horrível, não era? Outro exemplo: se te fizerem comer algo que não goste, todo dia, mesmo sabendo que esse alimento é importante pra você comer? Forçado, você comeria, mas com o tempo isso se tornaria uma tortura. Como você se sentiria! Imagine os disléxicos!!! Todos os dias terem que ler, interpretarem o que leem; escreverem sem trocar as letras (porque para eles, eles estão certos, não veem o erro)! Acabam deixando de gostar dos estudos por causa da pressão que sofrem por algo que eles nem sabem a diferença e não fazem por mal!

Disléxico não é preguiçoso, desinteressado. Parece isso, mas não é. Eles são assim, com essa carinha, mas são uns anjos que só precisam de apoio emocional e suporte nos estudos. Neste tempo de isolamento e tarefas online, tente sentar com eles, leia para eles o conteúdo, explique, ajude a pesquisar. Diga que você vai ajudar e tudo vai dar certo! Que ele consegue! Você vai ver resultados. Não é fácil ser mãe de um disléxico, pois encontramos muitos desafios, mas se Deus nos presenteou com esses anjos é porque somos capazes de ajudar!

Cuidado também com o que falam para uma criança que tem dislexia, pois a baixa estima pode causar depressão. As crianças com dislexia têm três vezes mais chances de terem depressão do que outra criança “normal”.

Tem que se esforçar até cinco vezes mais nos estudos do que uma criança sem dislexia. Eu troquei as palavras com meu filho:

“estudar “ por “adquirir conhecimento”;

“fazer tarefa” por “aprender coisas novas”.

Que Deus abençoe todas as mães. O amor sempre vence. Sobre o texto, é só um desabafo!”

(Adriana Gonçalves)


47 visualizações

© 2023 por EU E A DISLEXIA.